Recebi uma versão do texto abaixo, que tomei a liberdade de arrumar um pouco. Segundo a versão original, a tal “SAIDAÍ” do título acomete pessoas “com mais de 50 anos”. Mentira deslavada. Tenho 42 e já sofro disso há uns 4, pelo menos. Não lembro direito. Bem, vamos lá.

(Provavelmente, quando terminar de editar e publicar, terei esquecido o que eu estava fazendo quando me deparei com o texto no grupo dos colegas de escola no meu WhatsApp (todos com 40 e poucos; com sorte, vou conseguir terminar de editar sem ser interrompido 14 vezes por alguma distração, aí ele vai ficar esquecido em alguma das minhas trocentas abas abertas do Chrome e será revisitado daqui a alguns dias.)

“SAIDAÍ” – o que é isso? Somos nós, pessoas com mais de 40 anos de idade. “SAIDAÍ” é a “Síndrome da Atenção Imensamente Desviada Ativada pela Idade”. Ela se manifesta da seguinte forma:

Digamos que, num dia de folga, você decida lavar o carro.

Ao caminhar para a garagem, você vê que há correspondências na caixa de correio.

Por isso, você decide verificar primeiro a correspondência.

Você então deixa as chaves do carro em cima de um armário para poder jogar os envelopes vazios e os anúncios no lixo. Aí, percebe que a lixeira está cheia.

Na correspondência, você encontra uma fatura. Já que vai sair para tirar o lixo, decide aproveitar para ir ao banco, que está logo ali na esquina, para pagar a fatura.

Mas para pagar, você precisa da sua carteira. Você a procura no bolso, mas ela não está lá.

Você vai até o seu quarto para pegar a carteira e nota, na mesinha de cabeceira, uma lata de refrigerante que estava bebendo um pouco antes e que havia esquecido lá.

Você tira a latinha de lá, para procurar a carteira, mas sente que o refrigerante está quente.

Aí, claro, você decide levar a latinha para a geladeira.

Ao sair do quarto, você vê as flores que a sua filha te deu sobre a cômoda e lembra que precisa colocá-las na água.

Você coloca a latinha de refrigerante sobre a cômoda e, ao fazer isso, encontra os óculos que esteve procurando durante a manhã inteira.

Você decide levá-los para o escritório, lugar deles, depois de colocar as flores na água.

Você vai então até a cozinha procurar um vaso para as flores. De canto de olho, você vê um controle remoto.

Então, você se lembra que ontem à noite quase enlouqueceu procurando pelo controle e decide levá-lo para o quarto de TV, para deixá-lo no lugar dele!

Você põe seus óculos em cima da geladeira, não encontra nenhum vaso para as flores, pega um copo alto e enche de água. “Por enquanto” você decide deixar as flores assim, meio no improviso.

Você volta para o quarto com o copo cheio de água na mão, coloca o controle remoto na cômoda e coloca as flores no copo. Mas o copo não é adequado e… claro, você deixa cair muita água no chão. “Que chato!”, você pensa.

Aí você pega o controle remoto novamente e vai até a cozinha para buscar um pano para limpar a lambança.

Deixe o controle remoto que está na sua mão na mesa da cozinha. E sai… Aí, tenta se lembrar o que é que você ia fazer com o pano que está na sua mão.

Conclusão do dia produtivo: duas horas se passaram, você não lavou o carro, não pagou a fatura, a lata de lixo continua cheia, a lata de refrigerante está quente em cima da cômoda, você não colocou as flores em um vaso decente, não faz a menor ideia de onde deixou a sua carteira, não consegue mais encontrar o controle remoto da TV, não sabe onde ficaram os óculos, se depara com uma mancha no tapete do quarto e, pra ajudar, não faz a menor ideia de onde foram parar as chaves do carro!

Você então para pra pensar: “Como é que pode ser? Não fiz nada a manhã inteira, mas não tive um momento de folga sequer!”

Autor desconhecido. Adaptado livremente por mim, peço licença. Avise para crédito ou para remoção. Foto de capa: Fernanda Garcia/VivaBem/UOL: Minha memória é péssima. Quando o esquecimento não é normal?