Ontem finalmente tomei a minha primeira dose da vacina contra a covid-19. Foi dois meses depois de ter sido contaminado e de ter passado bem mal, como relatei no Instagram, usando uma imagem simples para explicar os sintomas que me enfraqueceram e levaram dois dos meus sentidos:

Pois… já recuperado e findo o período indicado para tomar a vacina depois de ter covid-19, chegou a minha “hora H do dia D”, que é como o ex-ministro Eduardo Pazuello costumava se referir ao momento de chegada das vacinas ao Brasil, empurrando ad aeternum para o dia do nunca a mais esperada notícia do último ano e meio. A data da faixa dos 42, onde estou, chegou na última quarta-feira, mas como eu estava fora de São Paulo fui procurar vacinas no último sábado, mas não rolou.

Fui, então, para a UBS mais próxima (obrigado, SUS). A fila estava imensa, como era esperado. Deu até tempo de preencher uma revistinha de palavras-cruzadas (obrigado, Coquetel) antes de chegar à metade da fila. Mas a causa era nobre, era importante, essencial, então segui feliz esperando, mesmo depois de ter esgotado todos os desafios vocabulares que eu tinha levado.

Em determinado momento, enquanto um agente de saúde passava pela fila verificando os dados das pessoas previamente cadastradas e cadastrando as que não tinham feito (achei bem organizado), chegou um “someliê” de vacinas, esticando o pescoço e atrapalhando a segunda-feira:

Confesso: a resposta do funcionário da Saúde paulistana não foi sarcástica como eu gostaria que tivesse sido (ou como teria sido uma resposta minha). O moço respondeu educadamente que estavam aplicando a vacina “da AstraZeneca” (ninguém parece saber, mas ela tem nome, é Covishield, e ela foi desenvolvida pela farmacêutica britânica em parceria com a Universidade Oxford).

E o perguntador foi embora, provavelmente porque buscava outra vacina.

Charge de Nando Motta

Está na hora de darmos um basta nesses “someliês” de vacina.

Não é hora de escolher vacina, não é sequer direito de ninguém optar por uma ou por outra. Estamos em meio a uma pandemia e só a imunização de uma parcela considerável da população vai nos permitir sair desse buraco que está se tornando mais profundo graças ao governo Bolsonaro.

Admirável a iniciativa da prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista: quem escolhe vacina vai pro fim da fila, depois de assinar um termo de responsabilidade. Vai precisar esperar todo mundo estar imunizado para só então receber a dose – e a dose que estiver disponível naquele momento.

Que mais cidades sigam o exemplo de São Bernardo! Quem escolhe vacina não tem pressa de se vacinar.

Em tempo: o meu momento foi emocionante. Narrei aqui, com foto improvisada:

Foto de capa: charge de Nando Motta