O que é que têm em comum uma jornalista estadunidense, uma artista nascida na então Rodésia do Norte, um cineasta australiano e você, se você cresceu nos anos 1990? Vamos contar essa história, mas primeiro, um vídeo.

O ano de 1999 parece estar a séculos de distância desse 2020 tão avassalador. Mas naquele 1999 um vídeo viralizou no que era a internet – um negócio puxado a fórceps com um barulho irritante que derrubava quem estava na linha telefônica. O nome do vídeo vai depender de para quem você pergunta. Oficialmente, Advice, like youth, probably just wasted on the young. Esse é o título de uma coluna assinada por Mary Schmich no Chicago Tribune de 1º de junho de 1997.

Popularmente, é apenas Wear Sunscreen, Use Filtro Solar. Foi assim que ficou conhecido. E que eu o conheci. Talvez em 99…

A coluna de Mary Schmich foi usada na íntegra pelo cineasta australiano Baz Luhrmann em seu álbum Something for Everybody, de 1998, com o título Everybody’s Free (To Wear Sunscreen) (Todos São Livres (Para Usar Filtro Solar)). O título foi lançado com o discurso inteiro e intacto, incluindo as palavras de abertura:

Ladies and Gentlemen of the Class of ’97′” (“Senhoras e senhores da classe de 1997”).

E vinha seguida do conselho: use filtro solar.

Se você, como eu, cresceu nos anos 1990, essas palavras são bastante familiares.

Talvez menos familiar seja esse nome: Rozalla. Rozalla Miller, ou simplesmente Rozalla, é uma autora de música eletrônica nascida em 1964 na então Rodésia do Norte (hoje Zâmbia), filha de pai zimbabuense. Aos 18, ela se mudou com os pais para o Zimbábue. É dela a composição contagiante que embala as palavras da colunista do Chicago Tribune. Além de “Everybody’s Free (To Feel Good)“, que foi remixado e relançado várias vezes, ela é também conhecida por outros dois singles de sucesso, de 1991-2: “Faith (In the Power of Love)” e “Are You Ready To Fly“. Em dezembro de 2016, a Billboard a classificou como a 98ª artista de dança de maior sucesso de todos os tempos.

Eu já dancei bastante ao som de Rozalla, “mesmo que não tivesse outro lugar para dançar além da minha sala de estar”. Se você assistiu ao vídeo de 1997 ou ao que abre este post, terá entendido.

Pois é. Dancemos todos.

E dali, de tantos conselhos*, esses em especial nunca me saíram da cabeça:

Conheça seus pais –você nunca sabe quando eles irão embora para sempre. Seja legal com seus irmãos –eles são seu melhor elo com seu passado e as pessoas com maior chances de ficar ao seu lado no futuro.

* Mas o melhor é esse, do qual também sempre lembro:

Conselhos são uma forma de nostalgia. Dar conselhos é uma forma de resgatar o passado do lixo, limpá-lo, pintar as partes feias e reciclá-lo para vendê-lo por um preço maior do que realmente vale.

Querendo ver a versão original? Aí vai, mas lembre-se: era 1997!

E para você, qual é o melhor conselho de “Use Filtro Solar”?

Se quiser ouvir, o Pedro Bial narrou bonitamente uma versão em português do famoso vídeo: