Muita gente pode não saber, mas existe um esforço (voluntário, vale a pena ressaltar!) feito para lutar contra a epidemia de fake news, negacionismos de todo tipo e revisionismos históricos a que todos estamos sujeitos na tal da era de “pós-verdade“. E o que é essa tal de “pós-verdade”? Lá do texto na Wikipedia, destaco o seguinte trecho, que explica isso muito bem:

Pós-verdade é um neologismo que descreve a situação na qual, ao criar e modelar a opinião pública, fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e crenças pessoais

Wikipedia: Pós-verdade

Um desses grupos é o Guerrilla Skepticism on Wikipedia (GSoW), uma iniciativa criada e liderada pela ativista estadunidense Susan Gerbic da qual agora também faço parte, orgulhosamente, porque acredito que fatos e feitos não podem simplesmente ser apagados ou reescritos para agradar a quem quer que seja.

Projeto corrige textos da Wikipédia e evita ‘1984’ da vida real

Folha de S.Paulo

Susan se dedica há uma década, com o apoio de voluntários espalhados pelo mundo, a criar e corrigir artigos na Wikipedia, que mais e mais se torna fonte (confiável, sim) para todo tipo de pesquisa – mas também é onde agem os propagadores de mentiras e de teorias conspiratórias de toda sorte, alterando conteúdos nos artigos para que as informações correspondam mais à visão de mundo deles do que aos fatos, à ciência e à história.

Infelizmente não são poucos os exemplos dessa enxurrada de mentiras deslavadas, teorias sem pé nem cabeça, desafios ao bom senso e à boa ciência e movimentos que ignoram evidências histórias. Da mamadeira de piroca àqueles que sustentam que o Holocausto nunca aconteceu (ou que é um movimento de esquerda!), passando pelos alucinados terraplanistas e pelo perigoso movimento antivacinação, que ganha especial atenção enquanto vemos o coronavírus se espalhar (bem como as notícias falsas e as falaciosas dicas para combatê-lo).

No Brasil somos poucos, muito poucos: eu sou o 4º voluntário no time! Por isso, deixo um convite para você conhecer essa bela iniciativa e para, se quiser, também se envolver. O Brasil com que sonhamos precisa, hoje talvez mais do que nunca, de combatentes incansáveis pela verdade e comprometidos com fatos.

Felizmente, por outro lado, não são poucas as maravilhosas iniciativas, aqui mesmo no Brasil, dedicadas à checagem de fatos, como Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos, Veritas, Comprova, É isso Mesmo? (do jornal O Globo), E-Farsas, Portal Hoax da EBC, Truco no Congresso, UOL Confere etc. É a eles — e não ao WhatsApp, ao coleguinha ou à avó — que devemos recorrer diante de dúvidas sobre qualquer assunto, antes de espalhar a informação, por mais irresistível que possa parecer.

No fim, identificar fake news é muito fácil (se você quiser!) e tudo parte da sensibilidade de sentir o cheiro de coisa estranha. Esse guia infográfico da IFLA (International Federation of Library Associations and Institutions) ajuda a entender como desconfiar e agir contra elas. Se quiser ir adiante, o portal do Fact Checking Day tem dicas de como derrubar os boatos espalhados por WhatsApp.

Foto de capa: Carbon Kyle