Essa jornalista e ativista chilena foi encontrada morta ontem no apartamento em que vivia sozinha, em Santiago. Albertina Martínez Burgos tinha 38 anos e vinha registrando casos de violência contra mulheres nas manifestações realizadas no país desde o mês passado.

Segundo a imprensa local, o Ministério Público chileno trabalha com a hipótese de homicídio. Coletivos feministas pedem uma investigação independente do caso. Segundo a Coalition For Women In Journalism, Albertina é a sexta jornalista morta no país só este ano, em meio à onda de violência e de repressão que tomou as ruas do Chile.

Ao que parece, desapareceram do apartamento os equipamentos de Albertina, como câmeras e notebook, bem como seus documentos e as fotos que ela havia registrado de casos de violência contra mulheres nas manifestações por parte das autoridades. Havia, diz a imprensa chilena, sinais de luta e de sangue em vários pontos do local.

Esse e tantos outros crimes que estão assolando o Chile, cometidos por um aparato militar com apoio do governo, devem ser urgentemente apurados e devidamente punidos. A voz de comunicadores e de manifestantes não pode ser calada. Vale lembrar que o flerte do governo brasileiro com essa repressão violenta e despedida vista e fartamente documentada em muitos casos preocupa sobremaneira.

Todo o meu apoio e força aos amigos e colegas chilenos. Vocês não estão sozinhos. Somos um só e, como já dissemos no ano passado, “ninguém solta a mão de ninguém”. Nadie le suelta la mano a nadie.

Versão editada e ampliada de texto publicado originalmente no Instagram. Foto de capa: The Coalition For Women In Journalism