É, já fazia um tempão que eu não publicava mapas, mas a minha recente mudança de país e de vida (de novo) atrasou algumas coisas e me fez repensar outras. E dia desses me deparei com esse interessante mapa publicado no El País que mostra quais são as nações mais sedentárias do mundo – o Brasil entre elas. O bacana é que o mapa é baseado em dados apurados nos celulares de usuários, a partir do número de passos que as pessoas dão diariamente.

Na ponta dos habitantes do planeta mais ativos estão chineses, ucranianos, japoneses, malaios, sauditas e indonésios. Entre os países ocidentais, Estados Unidos, México e Brasil são as nações mais ociosas – como lembra o El País, que conta que o estudo foi realizado pela renomada Stanford University. No Brasil a média é de cerca de 4,3 mil passos diários. Os habitantes de Hong Kong, os chineses que mais caminham, o número é bem maior: 6,9 mil diários.

Apesar das críticas e limitações do levantamento (que o próprio El País destaca, veja a seguir), ele reúne uma multidão de dados. “Para formular o mapa, os cientistas de Stanford contaram com todas essas informações (número de passos e distância percorrida, idade, sexo, peso, altura etc) de mais de 717 mil pessoas de 111 países, reunidas durante 95 dias, num total de 68 milhões de dias de atividade física”, conta o jornal. As críticas:

Embora os dados sobre obesidade revelados pelos celulares em geral coincidam com os da Organização Mundial da Saúde (OMS), os cientistas reconhecem que pode haver vieses no trabalho afetando os resultados.

Em primeiro lugar, apesar de terem contado com informações de cidadãos de 111 países, eles reduziram a lista para os 46 dos quais tinham dados sobre ao menos 1.000 pessoas. Outra limitação é inerente ao estudo: o aplicativo usado para a contagem dos passos (Argus, de Azumio) não é um item de série dos celulares. Precisa ser instalado. E é provável que os interessados num app como esse estejam predispostos a realizar mais atividade física. Além disso, a conexão entre a obesidade e a atividade física vai além das caminhadas. As pessoas que nadam ou andam de bicicleta, por exemplo, ficaram de fora.

Mas talvez o maior problema é que, embora o aplicativo fosse disponível para celulares Android, os pesquisadores restringiram o estudo aos aparelhos iPhone – o que poderia comprometer a validade estatística da amostra.

De qualquer forma, são dados interessantes que nos fazem repensar a forma com quem nos relacionamos com a atividade física no Brasil. Estou certo de que a maioria das pessoas apostaria que o nosso país apareceria no mapa com uma cor mais azulada – graças ao estereótipo que temos mundo afora. A situação é bem mais feia, entretanto. E cabe a cada um de nós começar a mudar esse retrato (entre as minhas mudanças de vida, já adotei duas nessa volta para o Brasil: pedalar para o trabalho e deixar de fumar! E você?!)

Boa semana!

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