O Sangue de ET/ Tem poder/ O Sangue de ET/ Vai nos fortalecer/ Se eu acreditar eu vou me convencer (Sangue de ET, Lulina)

O ET, então, visitou a Terra esta semana. Ao chegar, quis passear pela internet e procurar notícias sobre ETs. É claro que ele poderia ter feito isso lá no planeta dele, mas o ET estava se sentindo entediado e resolveu viajar. Deparou-se, então, com a estranha nota, no site chileno do renomado canal de TV History Channel, de que uma teoria sugere que humanos com RH negativo pertencem a uma linhagem extraterrestre. Claro que precisou usar seu tradutor interplanetário – que serve para qualquer idioma, com precisão incrível.

Leu e gostou. Afinal de contas, faz muito sentido. Ele só não sabia de nada disso. O ET até me disse que sentiu falta de uma fonte, do nome de um cientista, de uma universidade renomada (uma vez, em uma das visitas dele, já tínhamos discutido como estudos desse tipo parecem mais confiáveis quando incluem informações como quem ou onde foram desenvolvidos/ descobertos/ inventados).

Mas falando baixinho, pra ninguém mais ouvir, ele me contou, com a ajuda do tradutor interplanetário, que manteve o tom de voz:

“Esse negócio de RH é invenção de vocês, humanos… Nós não temos tipos sanguíneos, nem sangue nós temos!”

'Alguns até parecem ETs', confessou meu amigo interplanetário
‘Alguns até parecem ETs’, confessou meu amigo interplanetário

O ET gostou especialmente da tese que aparecia na nota sem fontes sobre os reis e as rainhas e os príncipes e as princesas da Ilha do Norte. “Atualmente, a estirpe de RH negativo é característica, por exemplo, da família real britânica, o que gerou polêmicas teorias sobre a possível linhagem extraterrestre deles”. O ET riu (já viu ET rindo? Coisa de outro planeta!) e garantiu: “Daquela família ninguém é ET”. Pensou um pouco e então concluiu, sarcástico: “Embora uns até que pareçam, sabe?!”

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, segundo o ET
‘Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa’, segundo o ET

E depois, ao reler a nota pela terceira vez, quis me ensinar sobre os ananaki, que é como os ETs do planeta dele chamam os anunnaki. A nota do History garante que foram eles que deixaram o legado do RH negativo na Terra depois da passagem deles por aqui. Versado em idiomas sumérios e em outras línguas extintas, o ET explicou que o nome do grupo é alternativamente escrito “a-nuna“, “a-nuna-ke-ne“, ou “a-nun-na“. E foi contundente: “É algo no sentido de ‘aqueles que vieram do céu'”. E riu de novo, explicando: “Mas isso, caro terráqueo, não significam que tenham vindo de outro planeta”.

De repente, meu amigo ET ficou sério ao reler e entender o fim da nota, sobre “a criação de um novo tipo possível de discriminação e segregação racista” por causa da teoria de manipulação genética do nosso sangue por extraterrestres. Olhou-me nos olhos com seus estranhos e grandes olhos e afirmou:

“Acho que vocês já têm suficientes problemas com preconceitos e discriminação e racismo para se preocupar. Quem é que gasta 10 bilhões de dinheiros para construir um muro para separar-se de outra gente? Peça ao seu povo que deixe nosso povo em paz!”

*Esse texto é um ensaio fictício sobre meu amigo ET que, vira e mexe, visita o nosso planeta e observa coisas que nem sempre fazem muito sentido pra ele. Como temos essa conexão especial, ele sempre me pede ajuda para tratar de entender o que está acontecendo. Mas um aviso: não leve nada disso muito a sério! Ou leve, sob seu próprio risco! 

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