Quando eu era um garotinho, ganhei de presente um kit de montar que tinha uma estrutura fantástica de trilhos, junções e bifurcações, sinalização, pontes etc etc etc. E trens de vários formatos, cores e finalidades. Era um brinquedo bonito, certamente caro, que veio, se não me falha a memória, da Alemanha.

Então me coloquei a montar o kit com um amigo ou um primo (aqui a memória certamente me falha). Usamos o quarto inteiro como percurso. Os trilhos saíam e entravam pela janela da varanda e pela porta do banheiro, passavam embaixo da cama e da escrivaninha, davam voltas, subiam e desciam pontes improvisadas com objetos que encontrávamos. Atividade para algumas horas no tempo infantil.

Depois de tudo pronto, posicionamos os trens, conectados aos seus vagões de passageiros e de carga: carvão, madeira, vagões fechados etc. Uma belezinha.

E chegou o momento de colocar tudo para funcionar.

Sozinhos, encontramos no alto de uma parede uma tomada 220v (aparentemente era a voltagem do sistema que eletrizaria os trilhos e faria os trens andarem). Escalamos improvisando com uma cadeira. Com dificuldade e braços curtos, conseguimos alcançar. Ao conectar a tomada, uma pequena explosão. A parede ficou preta. Nós, brancos de susto. E o trenzinho nunca funcionou.

Hoje, na newsletter matutina da CNN Five Things For Your New Day, entre várias notícias importantes, como o indulto a Chelsea Manning, o destino que Trump dará ao Obamacare, o terrível erro de forças nigerianas ao disparar contra um campo de refugiados pensando se tratar de um complexo do Boko Haram, a queda no número de abortos nos EUA, veio um vídeo com a seguinte descrição:

Sobre trilhos
Nada como um passeio de trem relaxante para limpar sua mente, mesmo se for um trem feito de Lego.

De repente aquele menino de décadas atrás reapareceu em mim. Meus olhos brilharam enquanto eu assistia aos quatro minutos de passeio de trem. De lá pra cá, já fiz muitas viagens bacanas de trem – meio de transporte pelo qual sou apaixonado (o barulho das rodas sobre os dormentes é das poucas coisas que me fazem dormir em movimento): entre o Cairo e Luxor, no Egito, voltando de campos de concentração para a Cracóvia (ou terá sido para Varsóvia?), na Polônia, a Maria Fumaça entre Campinas e Jaguariúna, no interior de São Paulo…

Eu guardo, com algum remorso, desde então, a lembrança daquele trem de brinquedo que nunca saiu da estação. Obrigado, Doug Criss, da CNN, por colocar um vídeo tão bacana, embora desimportante, em meio a notícias tão… cotidianas! Deixo o vídeo para quem quiser passear pela infância também! 🙂

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