Em números absolutos, é o Reino Unido. São 4,9 milhões de britânicos vivendo fora da terra da rainha Elizabeth II (*). Embora sejam apenas 0,08% dos cerca de 65 milhões de habitantes do país, isso acontece justamente no ano em que foi aprovado o Brexit – o voto britânico pela saída da União Europeia (UE). O argumento central é o mesmo que levou o magnata Donald Trump para a Casa Branca: deixar longe das fronteiras os imigrantes…

Como lembra o site Metrocosm, curiosamente não se usa o termo “imigrantes” para se referir aos britânicos (ou de cidadãos de qualquer país desenvolvido) vivendo fora de suas fronteiras nacionais. Em vez disso, usa-se “expatriados”, que o site lembra que tem essencialmente o mesmo significado que “imigrante”, uma pessoa que vive fora de seu país. Então qual é a diferença? O autor do texto, um estadunidense, responde:

Em seu uso comum, um imigrante é uma pessoa de um país pobre que se muda para um país rico em busca de uma vida melhor. Um expatriado é uma pessoa de um país rico que vai trabalhar no exterior.

Sutil, embora nem tanto…

Segundo os dados compilados pelo Metrocosm em uma tabela, com base em informações da Divisão de Populações da ONU, os países europeus com maior porcentagem de nacionais vivendo fora de suas fronteiras são os menores ou aqueles mais pobres ou que enfrentam consequências mais severas e duradouras da crise: Malta (0,24%), Portugal (0,22%), Croácia e Chipre (0,2%),  Irlanda e Lituânia (0,19%), Romênia e Letônia (0,17%), Bulgária (0,16%), Estônia (0,15%), Polônia (0,12%), Luxemburgo (0,11%) e República Checa (0,09%). Logo em seguida vem o Reino Unido, com seus 0,08%.

Em números absolutos, os britânicos são seguidos pelos poloneses (4,4 milhões), alemães (4 milhões), Romênia (3,4 milhões), Itália (2,9 milhões), Portugal (2,3 milhões), França (2,1 milhões) e Espanha (1,3 milhão). Na outra ponta, a Alemanha é o país com a maior quantidade de imigrantes (12 milhões, ou 0,15% de sua população), seguida pelo Reino Unido (8,5 milhões, 0,13%), França (7,8 milhões, 0,12%), Espanha (5,9 milhões, 0,13%), Itália (5,8 milhões, 0,09%) e Holanda (2 milhões, 0,12%). Os países com maior porcentagem de imigrantes são Luxemburgo (0,44%), Chipre (0,22%) e Suécia (0,17%).

Ah, vale lembrar que o Dictionary.com escolheu a palavra “xenofobia” como palavra do ano para 2016. Como escrevi no BLUE BUS, vem bem a calhar em um ano com Brexit e com Trump eleito nos EUA.

(*) Em tempo, se você ainda não começou a ver, não perca tempo. A série “The Crown”, da Netflix, é excelente. Conta com delicadeza a história do reinado de Elizabeth II desde seu início, em 1952, após a morte do pai, o rei George VI. Vale a pena para conhecer “por dentro” uma família que vemos nas páginas dos tablóides britânicos com um bocado de sensacionalismo.

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