Depois de uma polêmica envolvendo um erro no desenho de uma baleia patagônica, a Argentina colocou hoje em circulação a cédula de 200 pesos, a segunda na família “Animais autóctones da Argentina” que tem como motivo espécies nativas do país. Em junho entrou em circulação o bilhete de 500 pesos, com o jaguar, chamado na Argentina de yaguareté (Panthera onca). As notas de maior valor foram lançadas como medida contra a inflação do país.

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Parece familiar? Sim, as cédulas da nova série argentina são bastante parecidas com as do real, que também tem animais brasileiros em vez de personagens históricos, políticos ou culturais do país: nas cédulas de 1 a 100 reais aparecem, na ordem, o beija-flor (Amazilia lactea), a tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata), a garça (Casmerodius albus), a arara (Ara chloroptera), o mico-leão-dourado (Leonthopitecus rosalia), a onça pintada (Panthera onca) – a mesma dos 500 pesos argentinos – e a garoupa (Epinephelus marginatus).

Além das cédulas de 200 e 500 pesos, a Argentina vai colocar em circulação outras denominações da série. Cada bilhete e cada animal vai homenagear uma região do país. No ano que vem o hornero (Furnarius rufus), que conhecemos como joão-de-barro, estará na nota de 1.000 pesos, lembrando a região central da Argentina. O jaguar é da região noroeste. A taruca (Hippocamelus antisensis), na nota de 100 pesos, representa a região noroeste. O condor (Vultur gryphus), na de 50, os andes. Finalmente, o guanaco (Lama guanicoe), na de 20, as estepes patagônicas.

Erro na baleia. O “personagem” do novo bilhete de 200 pesos (cerca de 42 reais pelo câmbio de hoje) é a baleia-franca-austral (Eubalaena australis), que na verdade é típica de todo o hemisferio sul e pode ser encontrada na costa de outros países, como Austrália, Uruguai e Nova Zelândia. Ameaçada de extinção, a baleia tem esse nome por ser fácil de caçar (right whale, em inglês, virou ballena franca, em espanhol) – mas 20% dos cerca de 3 mil animais vivos estão nas águas da Argentina. A decisão do país de usar animais nas cédulas, segundo o jornal Clarín, é “uma nova forma de conscientizar sobre a preservação do meio ambiente“.

salto da baleiaMas a história do desenvolvimento da cédula teve a polêmica do erro no desenho. Ricardo Sastre, prefeito da cidade patagônica de Puerto Madryn (onde o bilhete foi oficialmente apresentado pelo Banco Central argentino), foi quem percebeu que a barbatana, no desenho original, aparecia no dorso do animal em vez de nas laterais.

O desenho precisou ser refeito, com a ajuda do Centro Nacional Patagónico, sediado em Puerto Madryn, e da Fundação EcoCentro, mesmo local em que o bilhete foi apresentado. Agora a baleia aparece fazendo o salto que se tornou famoso no mundo todo.

Vale lembrar que além da polêmica do desenho, a série dividiu o país, como noticiou o jornal La Vanguardia em janeiro, com a pergunta, depois de comentários correrem as redes sociais:

¿Argentina es África?

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