O vídeo do Nexo Jornal explica de forma bem detalhada porque é errado colocar num mesmo balaio árabes e muçulmanos. Embora a maioria dos árabes seja muçulmana (ou seja, siga a religião islâmica), o contrário não é verdadeiro – e a maioria dos muçulmanos, daqueles que seguem a fé do Islã, nem sequer está no Oriente Médio (onde nasceu o conceito de árabe, a partir da península arábica): está, na verdade, em quatro países asiáticos: Indonésia, Índia, Paquistão e Bangladesh – que não são árabes.

Povos muçulmanos não árabes, como turcos, persas ou curdos (ou mesmo drusos, para alguns efeitos) também ajudam a entender a diferença entre os dois conceitos. Na direção contrária, entenda que há árabes não muçulmanos, como árabes cristãos ou árabes judeus. Você já sabe o que une os muçulmanos – a religião. Então o que é que une os árabes? Assista ao vídeo e entenda.

Se você gosta de Oriente Médio, participe, no Facebook, do grupo Jornalistas pelo Oriente Médio. Embora nossa ideia original fosse reunir colegas que trabalham ou trabalharam na região (ou que escrevem sobre os temas da região), hoje o grupo reúne estudiosos e interessados no assunto. E se você está começando a explorar e quer saber melhor sobre a região, sugiro o texto Oriente Médio 101, em que explico, no Medium, alguns conceitos básicos e importantes. De lá, destaco esse trecho, que diz respeito ao mesmo tema do vídeo do Nexo:

Cada um com seu cada um. Árabes são parte de um grupo étnico, não de uma religião. Os árabes existem desde bem antes do Islã (a religião) e existem árabes cristãos e árabes judeus (sim!) Portanto, nem todos os árabes são muçulmanos. Há populações numerosas de árabes cristãos em todo o mundo, incluindo países como Líbano, Israel, Palestina, Síria e Jordânia, por exemplo. E nem todos os muçulmanos são árabes – na realidade, dois terços da população muçulmana mundial não são árabes. Em comum os árabes têm o idioma árabe. E a origem geográfica na Península Arábica, daí o nome do grupo.

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