Preste atenção a estes números: 1,1 mil ataques terroristas, quase 10 mil mortos. Esse é o saldo de um levantamento feito com base em informações disponíveis na internet sobre o terrorismo apenas em 2016. Sim, desde o começo do ano, 9.843 pessoas morreram em ataques ao redor do globo. Você deve se lembrar dos mais notórios, como Orlando (EUA, 49 mortos, junho), Nice (França, 86 mortos, julho), Dhaka (Bangladesh, 27 mortos, julho), Zaventem (Bélgica, 32 mortos, março)…

O mapa abaixo (acesse aqui a versão interativa e atualizada) foi feito por uma empresa da Califórnia que produz sistemas de informações geolocalizadas. É o resultado de uma parceria com o PeaceTech Lab, ligado ao Instituto da Paz dos EUA (Usip), que usa tecnologia, mídia e dados “para ajudar a prevenir, atenuar e reduzir conflitos violentos ao redor do mundo”. O retrato é assustador: virtualmente todas as regiões do mundo são marcadas no mapa, com destaque para o Oriente Médio e a região central da África – nem o pacífico e distante Uruguai escapa, com um ataque em março de um “lobo solitário” contra um líder da comunidade judaica local, que morreu.

terror map 2016

Boa parte dos ataques realizados em 2016 tem uma assinatura: a do Estado Islâmico (EI). Segundo o mapa, o grupo, que ganhou fama nos últimos anos com ações no Iraque e na Síria (onde autodeclarou seu “califado”) e no exterior, é responsável por 295 ataques que deixaram um rastro de quase 5,8 mil vítimas fatais – o mais recente, na cidade iemenita de Aden, matou 71 pessoas. O grupo tem usado as redes sociais como meio para dois objetivos principais: espalhar o medo e recrutar voluntários. Mas qual é o verdadeiro alcance do grupo?

EI ISIS Twitter

Este mapa é um retrato do posicionamento global de usuários favoráveis ao grupo no Twitter – repare na repetição de padrões ao comparar os dois mapas. É o resultado de um amplo estudo da consultoria Rand que busca examinar tanto a rede de apoiadores como os menos conhecidos opositores do EI na rede social – entre os usuários que falam árabe.

Embora muito menos anunciados, os adversários do EI também tomaram o Twitter para reprimir a mensagem do grupo (Rand).

Uma das conclusões interessantes é que, ao longo do período acompanhado pela Rand, o número de adversários do EI no Twitter superou o de apoiadores numa escala de 6 para 1. “A rede de apoio, entretanto, superou a produção de tuítes dos opositores com cerca de 50% mais publicações por dia”. O estudo, cuja íntegra está disponível online gratuitamente, procurou responder a três perguntas centrais:

  1. Como podemos diferenciar os apoiadores e os opositores do EI no Twitter?
  2. Quem são eles e o que estão dizendo?
  3. Como eles estão conectados e quem é importante?

Foto de capa: AFP

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