Dois vídeos. O primeiro é de um menino palestino de 13 anos ferido, caído ao chão, retorcido e ensanguentado. Foi parar ali, daquele jeito, depois de esfaquear, com um primo, dois civis israelenses, entre eles uma criança, como ele, em uma bicicleta (leia a história e a repercussão que o caso teve). O segundo vídeo é de um repórter do Canal 2, um dos principais da TV de Israel, entrevistando um palestino, em árabe, sobre o que ele pensa dos ataques a facadas realizados pelo “povo dele” contra judeus israelenses.

Os vídeos mostram algumas coisas que viraram comuns nessa sociedade da Terra Santa: preconceito, ódio, desconhecimento e ignorância sobre o outro. Dão vergonha da humanidade, ao menos da humanidade que está no berço da humanidade. Não se consegue olhar para um menino ferido, ainda que seja um terrorista, com o menor esboço de piedade. O homem que provavelmente fez o vídeo grita, em hebraico, impropérios, insultos e chega a dizer, para um interlocutor desconhecido, provavelmente alguém armado, “por favor dê um tiro na cabeça desse filho da puta”.

Não se pensa no outro jamais como igual, semelhante. As gerações desse canto do mundo – e isso não é exclusivo da geração perdida de Oslo – aprenderam a se odiar mutuamente e a se distanciar do outro de todas as maneiras – psicologicamente, sobretudo. Palestinos aprenderam a odiar judeus (repare: judeus) por default, sem pensar, no modo automático. Mas não aprenderam a reconhecer judeus. E o menino, depois de perceber que falava, em seu idioma, com um judeu, gente da mesma gente cuja morte ele acabara de pregar com um sorriso cínico na cara, se enche de vergonha.

Eu também estou cheio de vergonha.

UPDATE: Hoje o Bruno Lima, do Conexão Israel publicou um excelente texto que traduz o meu sentimento com os dois vídeos: O medo que precede o terrorismo. Vale a pena a leitura e, de quebra, seguir os caras, porque eles mandam muito bem no entendimento da sociedade de lá.

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