Minha análise publicada hoje no Metro.

An Israeli tank manoeuvres outside the northern Gaza StripEnquanto morrerem civis na Faixa de Gaza e enquanto Israel mantiver o bloqueio do território palestino, o país vai seguir perdendo em uma guerra na qual não tem tido sucesso: a guerra da informação.

É verdade que o Hamas, que tomou a Faixa de Gaza à força em 2007, matando mais de 100 partidários do Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, dispara mísseis diariamente contra civis israelenses desde então.

Diariamente, mesmo. Os moradores das pequenas cidades no entorno da estreita faixa de terra banhada pelo Mediterrâneo vivem sob a tensão de sirenes, correria, abrigos antibomba e uma rotina destroçada. Nenhum país viveria com isso.

Mas Israel criou uma resposta para essa ameaça. Tem um sofisticado sistema que intercepta os mísseis do Hamas, com precisão. Aí reside o motivo do baixo número de mortos do lado israelense antes da incursão terrestre.

Com a população protegida pelo Domo de Ferro, como é chamado o sistema, Israel teve a rara chance de marcar um ponto importante no tabuleiro da guerra da informação. Bastava declarar um cessar-fogo unilateral ou ter aceitado e mantido a trégua proposta pelo Cairo. O Hamas não cessaria os disparos, mas eles seriam inócuos. O mundo veria isso.

Ao dar a partida nos tanques e começar a operação por terra, tudo fica mais difícil e mais caro. Há mais mortes, dos dois lados, muitas delas injustificáveis. Os mísseis continuam, como continuariam. E Israel perde a chance de ouro de lançar um acordo com o partido de Abbas, o que enfraqueceria o Hamas ainda mais. Preferiu-se a lógica insana da guerra. (Foto: Baz Ratner/Reuters)

Publicado originalmente no Metro de 22.jul.2014 à pág. 12 (versão web)

Anúncios