É verdade. Eu uso o Tinder. E nem é algo que exige coragem para confessar. Se você usa o Tinder ou qualquer aplicativo (ou site, ou amigo, ou o que quer que seja) para conseguir putaria, vai conseguir putaria. Se você usa para conhecer gente, vai conhecer gente. E vai até correr o risco de conhecer gente bacana, que está por todo lado, mas às vezes a vida falha em cruzar os caminhos.

Assim tem sido comigo. 

Tudo começou com um esquenta aqui em casa. Quatro mulheres, amigas minhas, todas nos seus 30, e eu. Falava-se em nada além do Tinder na época. Era o aplicativo do momento, uma febre. Baixei. Não acho que os desenvolvedores inventaram a roda ou colocaram o ovo de pé. Na verdade, o que fizeram foi colocar no virtual o que já fazemos na vida real. Lulu idem: ou você, marmanjo, achava que as mulheres não falavam de você na mesa do bar, quando você não está, ou no banheiro, enquanto você espera na mesa? ¬¬

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E o aplicativo tem uma coisa que a vida real não oferece: a oportunidade de conhecer gente que tem interesses comuns. Sim, sou chato. Pegar mulher na balada só porque ela é bonitinha e gostosinha e depois descobrir que o cérebro dela, se existe, ficou em casa, não é a minha praia. Gosto de gente com quem eu consiga conversar por mais de cinco minutos. De preferência, por cinco horas sem perceber que elas passaram.

E o Tinder permite isso.

“Cada um conhece gente do jeito que pode”. É, verdade. E eu posso conhecer gente bacana de mil maneiras: no trabalho, no ônibus, na padaria, na rua, nas palestras que dou em faculdades, em caronas, pelo Instagram, em entrevistas que faço para minhas matérias, fumando, lendo e aprendendo sobre numismática, pelo Facebook, apresentado por amigos e até mesmo em uma tarde entediante de espera em um aeroporto em algum lugar do mundo. Todas as situações são reais e já aconteceram comigo. Talvez com você também.

E eu aproveito cada uma delas, porque gosto de gente. 

E o Tinder é apenas mais uma das maneiras. Se existe, e se existe gente bacana do outro lado usando e procurando, como eu, gente bacana, que os bits ajudem a que nos cruzemos. Daí pra frente, vira tudo igual: o bom papo, as risadas impronunciáveis (só eu fico tentando imaginar alguém rindo “LOL” ou “rsrs” ou, pior, “kkkkk“?!), a coincidência do lugar pelo qual passamos ontem à noite sem saber que, no meio da multidão, estávamos nós, os interesses comuns, o amigo de infância de um que estudou na faculdade com o outro… 

Sim, eu uso o Tinder. E não tenho vergonha alguma de ser o nerd que pareço para você, se você acha que, por isso, pareço nerd ou geek ou o apelido que você quiser usar. Ou um pobre coitado que precisa de aplicativos para se relacionar socialmente. Acredite: nas minhas conversas pelo Tinder existe sempre um desejo oculto. O de que aquela foto, aqueles poucos dados e aquele papo, se bacana, se transformem, logo, em uma longa conversa ao redor de uma mesa de bar, com uma cerveja geladinha e o relógio esquecido num canto. 

Se você quer me condenar ou julgar por isso, fique à vontade. Do jeito que for, estou conhecendo um monte de gente interessante. E você?

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