Rodrigo Lopes

A imagem acima fez parte da estratégia de divulgação do livro Guerras e tormentas, de Rodrigo Lopes, lançado em 2011. Rodrigo foi enviado especial do jornal Zero Hora, do Grupo RBS, ao Haiti por ocasião do terremoto que matou mais de 200 mil pessoas em 2010. O livro foi tema de um artigo recente do professor Carlos Alberto Di Franco, que eu mencionei dia desses aqui no blog. O trecho abaixo, de autoria do Rodrigo, foi retirado do texto de Di Franco,

Prendo a respiração, tento puxar o ar pela boca, mas o cheiro dos cadáveres em decomposição invade todos os meus sentidos. Volto alguns passos, penso em não olhar. Mas, como jornalista, sinto o dever de escancarar a realidade crua. Na escola, há pelo menos dez corpos insepultos, na quadra de futebol, ao sol. Pobreza, porcos misturados a pães, arroz e bananas e trânsito confuso sempre fizeram parte do dia a dia dos haitianos. Até o cheiro forte da comida temperada e exótica é antigo conhecido dos brasileiros. A diferença, agora, é que tudo isso está misturado ao cheiro de morte. Assim é o Haiti. Homens e mulheres que podem sofrer tragédias violentas uma ou duas vezes, ou até três — e depois sofrer ainda mais.

Além do Haiti, onde esteve três vezes, em 2005, 2007 e 2010, e cuja cobertura mereceu o destaque feito pelo Di Franco, Rodrigo (que tem a minha idade, 34 anos), acompanhou outra catástrofe natural – o furacão Katrina, em 2005. E cobriu as guerras do Líbano, em 2006, e da Líbia, em 2011. A frase dele mostra um pouco do bastidor de cobertura de eventos tão importantes quanto trágicos, que dependem do esforço não apenas profissional, mas sobretudo pessoal, do jornalista.

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