Paixão pelo jornalismoO portal Comunique-se publicou hoje cedo pergunta indigesta em tempos de crise na imprensa e com o fim do diploma para o exercício da profissão: Você tem orgulho de ser jornalista? Pode parecer difícil responder, mas a Bruany Bianchi, quartanista da Anhembi Morumbi, escreveu um depoimento empolgante e que me emocionou, ao mostrar como colaborei com ela na consolidação dessa sensação. Destaco o trecho abaixo:

A todos que criticam o exercício da profissão de jornalista – não tiro suas razões (…) Enfrentamos dificuldades de uma vaga formação jornalística e depois, no mercado, nos deparamos com uma estrutura cada vez menor (…) Com muitos amigos próximos tenho comentado das minhas frustrações e meus desânimos: disse que estava em um estado de ‘melancolia’. Ao entrevistar hoje o também jornalista Gabriel Toueg, acabei voltando ao meu estado idealista. Ser jornalista é muito mais que uma profissão (…) – a formação humana, cultural e moral já nos define como jornalistas. (…) Tenho orgulho de ser jornalista e de poder exercer uma profissão que me define como ser humano.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), em um artigo publicado pelos jornais O Estado de S. PauloO GloboJornalismo com paixão, se refere assim a um texto sobre o Haiti de Rodrigo Lopes, correspondente internacional do Grupo RBS: “despido de sensacionalismo, mas carregado de paixão”. Sem paixão, sem entrega, sem tesão, o jornalismo não passa de uma profissão qualquer. E nós, jornalistas, não somos profissionais de um ofício qualquer!

Por isso, me junto à Bruany na paixão pelo jornalismo. Por isso, digo e repito que tenho orgulho de ser jornalista, mesmo em momentos de crise crescente, de cortes, de notícias de arregalar os olhos sobre as empresas, de agressões contra os colegas no Brasil e morte de tantos outros mundo afora. E não sou contra a derrubada do diploma ou a contratação de gente que não fez faculdade de jornalismo – sou a favor, na verdade. Diferente do leitor Marcelo Mesquita, do Comunique-se, isso não me incomoda.

De novo, Di Franco, no mesmo artigo: “Os jornais (…) estão parecidos, previsíveis e, consequentemente, chatos. Precisam, com urgência, recuperar a capacidade de surpreender e emocionar o leitor. Precisam contar boas histórias. É isso o que o leitor quer (…); em qualquer plataforma, evita os produtos sem alma”.

E você? Tem orgulho de ser jornalista? Faz notícias com alma?

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