Durante as manifestações de junho, em todo o Brasil, motivadas pelo chamado do Movimento Passe Livre (MPL) para revogar o aumento das passagens do transporte público (em São Paulo o aumento foi de R$ 0,20), falou-se muito na principal  bandeira do grupo: a gratuidade nas tarifas. O tema foi exaustivamente discutido – nas redes sociais, nos bares e nas micaretas que as manifestações se tornaram, após algum tempo.

Ouvi e falei muito sobre a ideia da catraca livre. Li a respeito, fui atrás de saber quais cidades no Brasil e no mundo já adotaram a gratuidade – com ou sem sucesso. No Brasil, as cidades que têm gratuidade não passam de 40 mil habitantes. Então, fiz questão de comparar esses números  com os de São Paulo, escandalosos.

De 'passe livre' e de ilusões

Em função desse debate intenso e caloroso, que envolve o dia a dia da cidade  – mesmo daqueles que só andam de carro e nunca sequer entraram em um ônibus – resolvi escrever, naquela ocasião, o texto “De ‘passe livre’ e de ilusões”, em que aponto, com base em números, os motivos pelos quais acredito que cidades como São Paulo, com 11 milhões de habitantes, não têm condições de adotar o passe livre.

Como deixei claro no texto, entretanto, não sou contra a gratuidade. Em São Paulo, sou usuário de ônibus e metrô e – mais raramente – de trens. Não tenho carro, por opção. Tive um carro popular dos 18 aos 25, no Brasil. Quando morei fora, tive moto e carro – em Israel, jovens usam motos por serem um meio de transporte mais acessível, mais econômico e, acima de tudo, mais respeitado pelos motoristas.

Ao voltar para o Brasil, dois anos atrás, e ao ver a situação caótica do trânsito daqui, desisti de ter um veículo. Sou mais feliz e mais econômico assim. Leio no metrô, durmo no ônibus, observo melhor a cidade. Uso o tempo no transporte – muitas vezes um tempo desperdiçado pelos motoristas – para produzir.

Em função do texto, fui convidado pela TV Câmara, a tomar parte em um debate sobre o assunto no programa Participação Popular. Conversei com Elisa Rosas, representante do MPL em Brasília, e com Marta Martorelli, presidente da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (AneInfra). Também participaram, por telefone, a deputada Luiza Erundina, autora da PEC 90/2011, e Everton Octaviani, prefeito de Agudos (SP), município com transporte gratuito.

Assista à integra do debate.

O debate foi uma excelente oportunidade de ouvir as opiniões de pessoas tão intimamente envolvidas no assunto e de dar minha opinião, que parece, à primeira olhada, destoar do senso comum. Acredito (e espero) que a conversa tenha acrescentado bastante aos que se interessam pelo tema.

Foto: Gabriel Toueg

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