Hoje, lendo Capote (“Os cães ladram: pessoas públicas e lugares privados”; New Orleans, 1946), lembrei-me do meu avô, de quem tenho tão poucas lembranças, porque ele morreu quando eu tinha bem menos de 10 anos. Lembro-me, por exemplo, de ver o mundo do alto de seus ombros largos e muito altos, bem mais altos do que o menino que eu era naqueles tempos. E dos seus olhos, de um azul que eu não saberia jamais descrever, mas que Capote me trouxe de volta:

(…) os severos olhos azuis angelicais de vidro, claros como os olhos azuis desbotados dos marinheiros, olhavam para cima.

Meu avô, Armand, ele, que faria 100 anos este ano, em março – e para quem vou dedicar o livro que estou escrevendo (pesquisando, agora) sobre a história dele e de tantos outros que deixaram para trás um país, um idioma, uma vida, para aportar no Brasil nos anos 1950.

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