Em 2013, meu avô, Armand Toueg Soriano, completaria 100 anos. Em 1956, ele decidiu deixar o Egito, país onde nasceu, se casou e teve dois filhos – meu pai, então com 8, e minha tia, que tinha 11. Em meio à crise de Suez, o regime de Nasser se voltara contra a população judaica e muitos, como meu avô, decidiram deixar o país para trás – o país, as histórias, as memórias e os objetos de valor…

Laissez Passer família Toueg

O plano original do meu avô era estabelecer-se com minha avó e os filhos no Uruguai, mas ele não encontrou trabalho em Montevidéu. A família acabou chegando no Brasil em 1957. Infelizmente, poucos registros foram guardados. Eles se instalaram em São Paulo e aqui meu avô passou a trabalhar como tradutor entre os vários idiomas que conhecia – uma paixão transmitida para o meu pai (que fala oito) e, dele, para mim.

Para registrar essa história no centenário do meu avô e para relatar os depoimentos de outras famílias que chegaram de países árabes e muçulmanos entre os anos 1940 e 1970, minha amiga Leslie Sasson Cohen, internacionalista, e eu estamos na fase de pesquisa para um livro que deverá ser lançado ainda este ano. Colocamos no ar, no Facebook, uma página (Judeus Árabes: o livro), com informações sobre o projeto.

Além de realizar uma criteriosa pesquisa histórica sobre o período, estamos colhendo depoimentos de judeus que tenham chegado ao Brasil de países como Marrocos, Tunísia, Líbia, Egito, Iêmen, Líbano, Síria, Turquia, Irã e Iraque. Se conhecer alguém que tenha vindo a partir do final dos anos 1940, peça para nos escrever (pode ser pela página, pelo email ou participando do grupo de discussão sobre o livro).

(Foto: detalhe do laissez-passer da família Toueg, documento usado na saída do Egito, com a inscrição “Válido para uma só viagem, sem retorno” – quando deixaram o Egito, meus familiares perderam a cidadania egípcia; desde então, não quiseram mais voltar ao país, sequer para visitar)

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