Español

Eu tinha acabado de sair de uma entrevista sobre o Irã com um especialista americano que está no Brasil. Fizemos a entrevista em espanhol, idioma materno dele. A conversa foi interessante. Depois do papo, saí do café onde conversamos para acompanhá-lo até um ponto de táxi, logo ali. Nos despedimos e atravessei a rua para apanhar um táxi, também – eu ia para a outra direção.

O motorista, logo notei, não era brasileiro. Soltei o espanhol, logo: “¿De que parte tu eres?” Ele me contou que é mexicano, que está no Brasil há um ano e nove meses. O trânsito, péssimo como sempre, permitiu um longo papo: “Casei-me com uma brasileira, que me fisgou na Califórnia”, disse. Ele morou sete anos nos Estados Unidos depois de cansar de Cancún, onde nasceu e cresceu.

Falamos sobre o trânsito, aliás. Quando estávamos parados na esquina da Cidade Jardim com a Faria Lima, ele reclamou do trânsito. E disse que em Cancún isso não existe. “Pero en DF es muchísimo peor!”, disse, em referência à capital mexicana. Eu já sabia que a cidade tem índices de poluição horríveis, mas não sabia do trânsito por lá!

Depois vieram outras críticas ao Brasil. Ele disse que os salários aqui são muito baixos, o que não é novidade nenhuma. Contou que nos EUA e no resort mexicano trabalhava no setor hoteleiro, em grandes hotéis. Aqui, disse, os salários são um quarto dos de lá.  A saída foi o táxi. Contou dos códigos dos taxistas, que já aprendeu: “Se piscamos o luminoso, com um botão escondido (e me mostrou onde fica), indicamos aos colegas que estamos em situação de perigo, como um assalto”.

Quando já estávamos chegando no meu destino, depois de nos perdermos porque eu estava distraído com o papo (e porque ele não conhece São Paulo muito bem), ele fez um elogio à comida brasileira. “É muito boa, desde que cheguei já engordei 25 quilos!” E contou que a mulher, que o conheceu na Califórnia, não gosta muito. “Ella dice que me va a dejar”, brincou.

Foi um dia em espanhol.

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