– Você está sentindo o cheiro do creme que eu passei no rosto?

Meio bêbado, não tinha reparado no tal cheiro do tal creme, que devia ser um adicional à atmosfera romântico-sexual. Fiz um esforço: snif, snif. Não era muito bom, mas nessas horas é melhor não contrariar: “Hummm”. (O “hummm” é ambíguo, pode ser um “ah, que gostoso” ou um “alguém morreu aqui?”)

Mas o cheiro não estava bom e ela notou que eu não havia caído de paixão por ele: “É para as minhas espinhas”.

“Oi?”, pensei eu, nu, esparramado sobre a cama, com o teto girando sobre a minha cabeça – efeito da água tônica que tomei depois de três ou quatro cervejas, sou péssimo de contar.

Não me lembro de mais nada depois disso.

(Estas linhas são fruto da minha imaginação doentia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência)

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