Tenho me encontrado com muita gente e, vez ou outra, me perguntam como está sendo a volta ao Brasil. Preciso confessar que achava que a adaptação seria mais complicada, traumática até. Tinha receio de enfrentar dificuldades para me acostumar de novo com a falta de segurança, com o transporte público daqui, com questões essas e outras sobre as quais eu deixei de pensar nos meus últimos anos em Israel.

Mas a verdade é que as coisas estão sendo bem melhores do que eu planejei! Embora eu more na região que um amigo definiu outro dia como “bolsão de segurança”, os assaltos estão por aí. Na onda dos arrastões que andaram fazendo em restaurantes de São Paulo, roubaram clientes no La Buca Romana, que fica na esquina de casa. Mesmo assim, tenho andado quase despreocupado, bem menos tenso do que imaginava que ficaria.

O transporte público também melhorou muito desde que eu deixei o Brasil, em 2004. É verdade que eu pouco ou nada usava, naquela época. Tinha um carro, que vendi antes de deixar o país. Com o trânsito caótico como está eu prefiro aproveitar o tempo de viagem para mergulhar nos livros, nas minhas leituras, que ficaram tão raras em português quando eu estava em terras estrangeiras.

E, morando em uma cidade como esta, tenho vivido São Paulo intensamente. Já estou contando os dias para a Virada Cultural, que será a minha primeira. Há em Tel Aviv algo parecido – a Layla Lavan (Noite em Branco), em que há várias atrações gratuitas durante a noite. O formato brasileiro – 24 horas de atrações – vai ser minha estreia. Estou curioso.

Hoje estive no Centro da Cultura Judaica, que tem uma programação fascinante, não bastasse estar a apenas duas quadras de casa. Depois do delicioso filme Bagdad Cafe (ou Out of Roseheim), tive aula de gastronomia com Breno Lerner, que ensinou como preparar os pratos servidos no local, que fica na Route 66. E experimentei sopa de creme de milho, bolo de carne (apelidado de It’s not your mother’s meatloaf), chilli e bolo de batata doce. Agora é arriscar as receitas na Casa Laranja!

Não, minha reentrada não está sendo traumática! Minha adaptação à cidade onde nasci e cresci até os 25 anos está sendo tranquila, feliz até. Já estou até empregado – começo na segunda-feira como editor de internacional do portal Estadão.com.br. Estou também contando os dias, ansioso para começar! E, mais importante, tenho visto as pessoas, com tempo de sobra para um café ou uma cerveja, um passeio pela Paulista ou um almoço no meio do expediente. Coisas que eu não fazia quando vinha em férias ao Brasil.

Viva o retorno!

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