Eu deveria ter prestado mais atenção ao mar, ao vai-e-vém gostoso e constante e incansável das ondas. Deveria ter notado a areia debaixo dos meus pés, areia fria de meio de noite, que dá vontade de caminhar com os pés enterrados. Deveria talvez ter fechado os olhos e ouvido o silêncio da praia enquanto era acariciado pelo vento delicado de começo de outono.

Mas eu só observei o céu, tão grande é o céu. E as nuvens que não estavam lá, outono que era. E os aviões, de tantos em tantos minutos, passando distantes e silenciosos e trazendo histórias, tantas delas. E a lua, cheia, imponente, mas tímida, observando tudo lá do alto, mas de ladinho. E reparei nos pássaros que não estavam, e no vento gostoso que acariciava meu cabelo. Deitei na areia fria e deixei o céu me conversar, me abraçar, tão amplo, tão infinito.

Estou Dindi.

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