Cena: Segafredo Café da rua Dizengoff, Tel Aviv. Noite. Grupo de amigos em uma mesa. Todos animados.

De repente, um casal se levanta e ensaia uns passos de uma dança qualquer. Ele tem um jeitão esquisito. Ela, a leveza da menina-mulher, usando óculos que querem fazê-la mais mulher, e um vestido que a faz mais menina. Voltam a sentar-se.

Na frente da menina-mulher, de vestido vermelho e olhos claros, a menina de mãos delicadas sorri. A voz é doce, não consigo imaginá-la irritada. Prende os longos e encaracolados cabelos e volta a sorrir. Ela está com frio. Meninas sempre estão com frio.

O sujeito com jeitão esquisito pergunta, à mesa:

Alguém aqui quer mergulhar na Jordânia no Yom Kipur?

E começa a explicar o plano. “Sinai é uma segunda opção”, diz. Para ele, ouvidos atentos da menina de vestido vermelho, a Jordânia é “Eilat dos anos 1980”. Não houve adeptos à ideia de mergulhar no país vizinho.

O nome dela, da menina de vestido vermelho, é Hili. Pelo menos é o que me disse uma amiga, que estava na outra ponta da mesa, ao levantar-se. Foram embora.

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