Biden em Israel (foto: Ronen Zvulun, Reuters)Contei aqui sobre meu trabalho com as novelas, mas não contei que desde outubro do ano passado (já faz quase um ano!) não estou mais por lá. E, desde então, tenho feito diversas coisas mais ou menos pontuais, mais ou menos jornalísticas, como fotografar grupos de jovens canadenses que visitam Israel, escrever textos para diferentes publicações da imprensa brasileira, cobrir a visita do presidente Lula a Jerusalém, Ramallah, Belém e Amã, fazer palestras em português para turistas brasucas e… dirigir para o vice-presidente norte-americano, Joe Biden!

Em março, em um dia como qualquer outro, estava em casa pensando no que ia comer (algo que leva quase tanto tempo quanto preparar a comida), quando recebi um telefonema de uma empresa de recursos humanos de Tel Aviv, que tinha o meu currículo e a informação – para eles suficiente – de que falo inglês:

Você quer dirigir na carreata do vice-presidente dos Estados Unidos?

Como não estava trabalhando, tinha muito tempo livre – tanto quanto eles pediam. Era a semana anterior à chegada do presidente Lula a Israel, e eu estava ocupado com os preparativos. Mas resolvi aceitar, mesmo sem ter a menor ideia de como é que um cara como eu tinha sido escolhido, sem qualquer experiência no volante. Não que eu dirija mal, mas nunca o fiz profissionalmente!

Ao dizer “sim”, passou pela minha cabeça uma imagem: equipes enormes do FBI e do serviço secreto norte-americano revisando todas as minhas informações e registros na polícia, diante de uma tela gigante na sala central de algum escritório cuja localidade é desconhecida, como nos filmes!

Poucos dias depois, então, Biden veio. E, seguindo as poucas instruções dadas aos motoristas – éramos mais de 40, em várias equipes – fiz a barba impecavelmente, vesti minha melhor camisa, e fui para o aeroporto Ben Gurion dirigindo uma minivan Mitsubishi novinha, cinza e confortável (acho que é o carro mais confortável que eu já dirigi!)

Três horas depois eu estava levando um marine e as malas do casal Biden de volta para Jerusalém, a 130 quilômetros horários, pela Número 1, a estrada que liga Tel Aviv, passando pelo aeroporto, a Jerusalém. Dirigi cercado de viaturas policiais, motos cinematográficas da polícia israelense, carros do Secret Service e montes de israelenses curiosos e furiosos com o congestionamento causado pela visita.

A experiência foi interessante, mas a melhor parte ainda estava por vir: um artigo que acabou sendo publicado no jornal O Estado de S.Paulo sobre um jornalista brasileiro que dirigiu um carro japonês para o vice-presidente norte-americano nas estradas israelenses.

O texto, Todos os motoristas do vice-presidente, escrito à beira da piscina do hotel de Biden, com vista para a Cidade Velha de Jerusalém, foi publicado no fim de semana seguinte no caderno Aliás, do Estadão, que traz semanalmente features interessantes relacionados com o que está no noticiário.

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