Estou chegando em casa. Calor infernal. Vou desviando do sol e procurando a sombra. Entro no meu prédio e vejo uma senhora numa cadeira de rodas. Ela levanta o olhar e me pede uma carona. Que eu a levasse para a parada de ônibus, de onde tinha acabado de chegar. “Claro”, respondo. E coloco as rodas da cadeira em marcha. Ela comenta que tem Parkinson e uma doença que enfraquece os ossos gradativamente, que não pode sair de casa, ficar no sol etc. E completa com a frase-lição: “Mas reclamar pra quem?” Eu penso, na minha filosofia barata: “Reclamar para quê?” e arrasto a senhora na cadeira sobre rodas até o lugar solicitado. Mil obrigados. Sensação de missão cumprida. Não foi nada, mesmo. Uma lição.

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