Estive hoje em um abrigo anti-bombas. Não rolou sirene, não caiu nenhum míssil lançado pelo Hizballah ou pelo Hamas, não teve correria nem nada. O abrigo onde eu estive, em um bairro residencial super tranqüilo de Jerusalém, foi transformado em sinagoga. Uma porta espessa de ferro dá acesso ao templo judaico que abrigou nesta manhã ensolarada de sexta-feira a cerimônia de brit milá (circuncisão) do Lior, o filho da minha amiga Cinthia. O nome ele ganhou hoje, enquanto chorava como o bebê da foto. Lior, hebraico para “luz para mim”, significativo para uma mãe como ela dar para o rebento. A cerimônia foi emocionante, embora bastante simples. Lá, dentro do abrigo anti-bombas, uns amigos, uns parentes, a mãe bastante emocionada e o bebê, cujo choro, como manda o judaísmo, foi calado por gotas de vinho em um pedaço de algodão.

Foi selada a aliança.

[TRADIÇÃO] Contei para uns amigos e eles não acreditaram! O mohel que fez o meu brit milá, em 1979, foi o mesmo que fez o do meu pai, em 1949 e o do meu avô, em 1913! Minha mãe sempre conta que o velhinho – que de acordo com as minhas contas deveria ter uns 90 anos quando me circuncidou – tremia. Ela também, de medo!

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