Passou a “freqüentar” o mundo virtual da noite para o dia, em uma madrugada mal-dormida. Quando se deu conta, tudo era diferente. Das cartas se fez o email, do telefone se fez o Skype, da voz se fez um conjunto de palavras digitadas… E um dia, embora já acostumado com a facilidade do send, quis mandar uma carta. Agarrou papel e caneta, teve medo da caligrafia. Escreveu uma página e outra mais. Desenterrou um envelope em uma prateleira empoeirada de uma papelaria do bairro. Anotou o endereço do destinatário, longo e sem arroba, e precisou redigir o próprio endereço, também. Precisava apenas de um selo. Foi ao correio. Mas ao chegar lá, não havia correio, mais. Tanto tempo sem mandar cartas, e quando quis mandar, o correio tinha mudado de endereço – ele nem se havia dado conta.

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